segunda-feira, 31 de maio de 2010

Curtas - Mais uma porta fechada

Sem Sapeka,
sem economia


O sábado, 29 de maio de 2010, foi um dia de muito movimento comercial em uma loja de calçados do centro de Londrina. Atraídos pelos preços de liquidação de estoque, muitos consumidores visitaram o estabelecimento e compraram sandálias femininas até por R$ 9,90. Alguns de couro, acabamento de primeira e grife conceituada. Sapatos masculinos de boa marca puderam ser comprados por R$ 19,90.

A loja trabalhava com a ponta de estoque de uma grande e conceituada rede de calçados de Londrina. Ali o consumidor menos exigente encontrava calçados com alguma diferença de cor, porque um dos pares era mantido na embalagem e o outro ficava na vitrine. Com alguns dias de uso, os dois pés ficavam iguais. Uma outra loja da mesma rede, também de ponta de estoque, fechou as portas no Calçadão semanas antes.

Correria e tristeza
dos funcionários


Passei rapidamente pela loja em seu último dia de funcionamento. Eu era cliente. Não tenho nenhum constrangimento de dizer que todos os calçados que tenho hoje em casa foram comprados ali. Olhem para os meus pés e verão. Uso sapatos que custariam normalmente R$ 150,00. Mas paguei por eles, quando muito, R$ 49,90.

Há quem se sinta envergonhado disso. Eu tenho orgulho de ter pago um preço justo. Fiquei dez meses sem emprego, tentando ganhar a vida como freelancer na área de comunicação. Minha esposa, Maria Aparecida, e meu filho, Wellington Thiago, com a compreensão e a anuência dos meus dois outros filhos, Francis Vinicius e Mickael Hermano, é que me deram muito força e mantiveram o orçamento doméstico em dia. Nem seria consciente gastar três vezes mais quando se pode calçar com um terço do valor.

Muitos projetos
e nada consolidado


Vivi o pesadelo na condição de freelancer. Elaborei muitos projetos. Ouvi muitas promessas. Não acertei nada. Até tentei a área de vendas, mas confesso que fracassei. Não tenho dom para esta profissão. Por isso, repito o que já disse neste blog, admiro muito os bons vendedores.

Reacendo neste momento uma questão preocupante. Nas primeiras postagens deste blog, levantei a lebre sobre o risco do desempregado enfraquecer e ser acometido de uma depressão profunda. Nos meus primeiros meses de desemprego, em alguns dias eu tinha medo de sair às ruas. O receio era de alguém me perguntar o que eu fazia. Eu tinha vergonha de admitir que estava desempregado. Gostaria muito, muito mesmo, que profissionais da área de psicologia participassem desta oportunidade de debater um tema muito sério. Já fiz este apelo, mas até agora não recebi retorno.

Sem glórias, mas
sem pregos na cruz


Hoje conversei com um amigo e ponderamos que, às vezes, a honestidade é difícil de ser reconhecida. Ele relatou sobre uma atividade que exerceu. Lutou pela transparência e pela ética. Colocou-se contra colegas que transgrediram. Ninguém, exceto a família, reconhece isso.

Eu já renunciei a um cargo muito cobiçado porque a empresa onde trabalhava demitiu duas pessoas fundamentais de minha equipe. Com a renuncia ao cargo, fui em seguida demitido, pois não havia como a empresa manter-me em outra função com o salário de um chefe. Recebi as costas de muitos colegas. Nem a solidariedade do meu sindicato tive. Anos depois, ainda fui obrigado a ter que ouvir que um daqueles demitidos guardava mágoas de mim. Inventaram que eu é que o havia demitido, porque ele fazia sombra para mim. Jamais acreditarei que isso partiu dele, que além de colega, era um grande amigo.

Currículos
engavetados


Mandei mais de 200 currículos por e-mail para empresas localizadas em outras cidades e estados. Fiz telefonemas e algumas visitas. Levei currículo impresso de porta em porta. Tive, com toda a sinceridade, dois retornos. Em um deles, fui chamado para um teste. Que eu saiba de todos os que concorreram comigo ninguém foi contratado, o que me leva a crer que fomos uma turma de incapacitados. Ou não?

Foi lá longe, no Rio Grande do Sul, onde nunca estive profissionalmente, que me deram a chance de ser freelancer de uma revista. Analisaram o meu currículo, pediram textos e acharam que eu servia. Numa empresa de comunicação aqui do Paraná, em Curitiba, telefonei oito vezes e nem consegui um contato de cinco minutos com o diretor de redação.

O que eu puder
eu faço com gosto


Por isso volto a falar do fechamento da loja de calçados. Eu pouco posso fazer pelos funcionários que ficaram sem emprego desde esta segunda-feira. Eu posso ajudar com o meu blog, debatendo, ponderando, pedindo a participação de pessoas especializadas que possam encaminhar esta discussão: o mercado de trabalho especializado está muito restrito. Tem que ser jovem, tem que ter especialização (mesmo que o título seja comprado), tem que ter inglês fluente. A experiência é raramente considerada.

Torço muito para que os bons vendedores daquele loja, que neste momento é apenas mais uma porta fechada, consigam empregos rapidamente. Eu, com dez meses parado, quase cheguei ao fundo do poço financeira e psicologicamente. Não quero isso nem para o meu pior inimigo.

Se apostam na dignidade, na ética, na boa vontade, na solidariedade, na justiça e na verdade, estou aqui. Se for necessário, encabeço a formação de um fórum, ou um grupo de apoio, enfim, um organismo para discutirmos isto que manifestei acima e muito mais. Espero não ser uma voz perdida no meio da multidão. Muito Obrigado.

domingo, 30 de maio de 2010

Para relaxar - É domingo, então vamos ao doce som da boa música

Escondemos os problemas cotidianos atrás da porta. O domingo é para descontrair. Pelo menos hoje, vai... na voz do grande e eterno Gonzaguinha, Sangrando. O vídeo foi extraído do Youtube. Mas há como saber muito mais deste talento no site http://www.gonzaguinha.com.br

sábado, 29 de maio de 2010

Arte no sangue - Pedras e sementes mexem com a vaidade das mulheres



Basta uma boa dose de bom gosto e muita sensibilidade artística para fazer de um punhado de sementes ou pedras uma peça cobiçada pelas mulheres. A artesã Cláudia Lunardi percebeu isso há 10 anos, quando ainda morava em São Paulo. Artista plástica, ela também trabalha com óleo sobre tela, mas ultimamente as atenções estão voltadas para as pulseiras, os brincos, os colares e as demais peças de artesanato, cujo principal alvo são as mulheres.

Cláudia, mãe da farmacêutica Milena, de 25 anos, e da médica veterinária Michele, de 28 anos, que faz doutorado na Universidade Estadual de Londrina, veio com o marido Arnaldo há nove anos de mudança para Londrina.

Aqui ela decidiu, junto com a mudança de endereço, também por uma transformação em sua vida. Especializou-se na arte de produzir as peças artesanais e, ao mesmo tempo, estruturou-se para poder colocar sua produção à venda.

Atualmente, ela participa da Feira da Oportunidade do Terminal Rodoviário de Londrina nas sextas-feiras e nos domingos à tarde. No sábado e no domingo de manhã está na feirinha do Calçadão. Eventualmente, participa de feiras que são realizadas em locais onde ocorrem eventos comunitários.

Além desses locais, os interessados podem conhecer os produtos em contato com a artista. Os telefones: (43) 3321-8669 / (43) 9901-0561. O e-mail: lunardifilho@yahoo.com.br.

Manifesto - Vandalismo oficial




Eu vi uns milicozinhos da Prefeitura de Londrina, vestidos de soldadinhos, ajudando operários numa obra de moleque, que me fez lembrar de vandalismo. Eram mais de dez. Transformaram aquele ato numa festa. Era o prazer, o gozo, a vingança num desafeto que não podia, imagino, ser o dono da banca de jornais e revistas destruído com o respaldo da Justiça na sexta-feira.

Ficava na esquina da rua Sergipe com a rua Paraíba, na pracinha que no lado de baixo é cercada pela rua Quintino Bocaiúva, no centro de Londrina. Ponto tradicional das trocas e vendas de figurinhas.

Sobrou, como se vê na foto, um vazio. Com o tempo restará sujeira, porque a banca foi destruída e em seu lugar ajuntarão lixo, resíduos, detritos e resquícios de um tempo de quase autoritarismo em determinadas decisões.

Sobrou também um microempresário que perdeu ponto e negócio.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Bonitas camisas, Fernandinhos



Dois Fernandos que o Brasil já teve apertaram o cerco em torno de importantes conquistas dos trabalhadores e tentaram acabar com os efeitos de algumas delas. Pagamento de campanha ou simples prazer de beneficiar patrocinadores? Na pior das hipóteses, prazer sim. Mas de achatar o trabalhismo nacional.

Fernando Collor foi um deles. Defensor da idéia de que tudo o que é de fora é bom, ensaiou um neoliberalismo de proveta. Conseguiu encolher o modernismo e o crescimento, ao transformar um capitalismo selvagem e um monstro sem olhos, sem ouvidos, sem nariz e sem boca.

O outro Fernando, o que fez de diferente? Discursou muito. Rei da teoria e dos conceitos estrangeiros, avacalhou com o trabalhador para aliviar a tensão da corda esticada pelo empresariado. Tentou legitimar a informalidade, feita por milhares de brasileiros que não tinham emprego.

Na realidade, não somente os dois, mas outros que tivemos antes (na foto, um deles - fez muito escrevendo um livro e ganhou cadeira na academia) e este de agora, que vimos frequentemente em fotos captadas no exterior, sempre viram os encargos trabalhistas como os inimigos declarados da iniciativa privada. Esquecem que eles próprios contribuiram para tornar a economia brasileira um pesado avião que não consegue decolar.

Donos de inteligências perigosas, todos enganam. É o que se vê, pois conseguem retornar ao poder mesmo que tenham sido tirados dele à força. Ou será que nós, eleitores, somos realmente burros?

Se Lula é estadista, conforme avaliam algumas grandes personalidades políticas do exterior, então temos que assumir a nossa ignorância. Pois, cá pra nós, ele é o rei do assistencialismo e desse trono obtém dividendos eleitorais.

E se o passado é o melhor parâmetro, então temos na cabeça da briga presidencial dois sucessores de nada. Dilma e Serra são o continuismo de alguma coisa que deu certo para apenas alguns. Ou a enorme onda que remexe a corrupção, de um canto a outro do Brasil, é apenas uma coincidência?

Ah, vão dizer que a origem disso está no descobrimento e na colonização. E então? Justifica alguma coisa? Nada.

Mas o Dunga está levando os boleiros para fora. Curitiba, se for tomado como base a euforia dos jornalistas esportivos cá da terra, viveu momentos de glória. Cá no Norte do Estado vimos vitrinas timidamente enfeitadas de amarelo, verde e azul. Decoração bem mais fraca que a da comemoração da independência.

Talvez porque, na inconsciência, todos sabem que ainda esperamos pelo grito da dignidade, apesar de um tempo incerto. O Brasil de Dunga traz a taça? O Brasil de Serra e Dilma continuará achatando a qualidade de vida dos trabalhadores, aposentados e pensionistas? O Brasil de Lula continuará palco de escândalos?

Sem respostas, vamos continuar enviando donativos para o Haiti. A Caixa Econômica Federal continua em campanha por contribuições, conforme se lê nos caixas eletrônicos do banco. Isso quando eles funcionam.

Terá, portanto, toda razão o leitor que considerar este texto uma salada mista. Pois, como na política, hoje estamos aqui para confundir.

A foto extraída do Google é para ser emoldurada e pendurada na parede da sala. Mantenha no quadro um espaço em branco para incluir o Lula.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Data comemorativa - 25 de maio

Dia do Trabalhador Rural, Dia do Vigilante, Dia do Massagista. A poucas horas do fim deste dia, os parabéns para estes profissionais que, a rigor, trabalham e merecem todos os dias.

Curtas - Para ficar um tanto indignado

- Capa do oficialesco JL, edição desta terça, 25 de maio, traz, como de costume, manchete da Prefeitura de Londrina: "Prefeitura projeta 17% de aumento de receitas". O caos na saúde merece quatro linhas de uma coluna em cima, abaixo das três linhas de duas colunas dedicadas à fiança de R$ 317 mil paga pelo advogado do Ciap para sair da cadeia. A chamada é: "Advogado de Oscip paga R$ 317 mil de fiança e é solto". Desconfia-se quando se generaliza. A estampa omite qual é a Oscip.

- Menos mal no outro jornal, a Folha de Londrina. É a impressão que se tem olhando a capa. A manchete é "Fantasmas" da Assembléia assombram o interior. Chamativa, instiga para a leitura. Não se sabe ainda o que tem dentro, mas o embrulho interessa. A segunda manchete é de economia: "Fusão à vista entre Corol e Cocamar".

- No JL, nada sobre a falta de pessoal de atendimento na Agência do Trabalhador. A televisão do mesmo grupo dedicou um razoável espaço para o tema. Trabalhadores desempregados que disputam uma vaga e trabalhadores demitidos que precisam entrar com o processo do Seguro Desemprego aguardam horas pelo atendimento.

- Uma matéria que merecia repercussão profunda: "Ministros recomendam a Lula vetar reajuste de 7,7%". É sobre o reajuste para aposentados e pensionistas da Previdência Social que ganham mais que um salário mínimo. Lembro que esta cidade tem dois ministros. Só ai dá um gancho, quando se quer produzir algo sério.

- Declare Guerra - no http://walterogama.blogspot.com/, vídeo do Barão Vermelho. Muito a ver com o artigo que será postado ainda hoje naquele espaço.